domingo, 2 de novembro de 2014
A MORTE NÃO EXISTE - Leon Denis
A morte é uma simples mudança de estado, a destruição de uma forma frágil que já não proporciona à vida as condições necessárias ao seu funcionamento e à sua evolução. Para além da campa, abre-se uma nova fase de existência. O Espírito, debaixo da sua forma fluídica, imponderável, prepara-se para novas reencarnações; acha no seu estado mental os frutos da existência que findou. Por toda parte se encontra a vida. A Natureza inteira mostra-nos, no seu maravilhoso panorama, a renovação perpétua de todas as coisas. Em parte alguma há a morte, como, em geral, é considerada entre nós; em parte alguma há o aniquilamento; nenhum ente pode perecer no seu princípio de vida, na sua unidade consciente. O Universo transborda de vida física e psíquica. Por toda parte o imenso formigar dos seres, a elaboração de almas que, quando escapam às demoradas e obscuras preparações da matéria, é para prosseguirem, nas etapas da luz, a sua ascensão magnífica.
A vida do homem é como o Sol das regiões polares durante o estio. Desce devagar, baixa, vai enfraquecendo, parece desaparecer um instante por baixo do horizonte. É o fim, na aparência; mas, logo depois, torna a elevar-se, para novamente descrever a sua órbita imensa no céu.
A morte é apenas um eclipse momentâneo na grande revolução das nossas existências; mas, basta esse instante para revelar-nos o sentido grave e profundo da vida. A própria morte pode ter também a sua nobreza, a sua grandeza. Não devemos temê-la, mas, antes, nos esforçar por embelezá-la, preparando-se cada um constantemente para ela, pela pesquisa e conquista da beleza moral, a beleza do Espírito que molda o corpo e o orna com um reflexo augusto na hora das separações supremas. A maneira por que cada qual sabe morrer é já, por si mesma, uma indicação do que para cada um de nós será a vida do Espaço.
Há como uma luz fria e pura em redor da almofada de certos leitos de morte. Rostos, até aí insignificantes, parecem aureolados por claridades do Além. Um silêncio imponente faz-se em volta daqueles que deixaram a Terra. Os vivos, testemunhas da morte, sentem grandes e austeros pensamentos desprenderem-se do fundo banal das suas impressões habituais, dando alguma beleza à sua vida interior. O ódio e as más paixões não resistem a esse espetáculo. Ante o corpo de um inimigo, abranda toda a animosidade, esvai-se todo o desejo de vingança. Junto de um esquife, o perdão parece mais fácil, mais imperioso o dever.
Toda morte é um parto, um renascimento; é a manifestação de uma vida até aí latente em nós, vida invisível da Terra, que vai reunir-se à vida invisível do Espaço. Depois de certo tempo de perturbação, tornamos a encontrar-nos, além do túmulo, na plenitude das nossas faculdades e da nossa consciência, junto dos seres amados que compartilharam as horas tristes ou alegres da nossa existência terrestre. A tumba apenas encerra pó. Elevemos mais alto os nossos pensamentos e as nossas recordações, se quisermos achar de novo o rastro das almas que nos foram caras.
Não peçais às pedras do sepulcro o segredo da vida. Os ossos e as cinzas que lá jazem nada são, ficai sabendo. As almas que os animaram deixaram esses lugares, revivem em formas mais sutis, mais apuradas. Do seio do invisível, onde lhes chegam as vossas orações e as comovem, elas vos seguem com a vista, vos respondem e vos sorriem. A Revelação Espírita ensinar-vos-á a comunicar com elas, a unir os vossos sentimentos num mesmo amor, numa esperança inefável.
Muitas vezes, os seres que chorais e que ides procurar no cemitério estão ao vosso lado. Vêm velar por vós aqueles que foram o amparo da vossa juventude, que vos embalaram nos braços, os amigos, companheiros das vossas alegrias e das vossas dores, bem como todas as formas, todos os meigos fantasmas dos seres que encontrastes no vosso caminho, os quais participaram da vossa existência e levaram consigo alguma coisa de vós mesmos, da vossa alma e do vosso coração. Ao redor de vós flutua a multidão dos homens que se sumiram na morte, multidão confusa, que revive, vos chama e mostra o caminho que tendes de percorrer.
Ó morte, ó serena majestade! Tu, de quem fazem um espantalho, és para o pensador simplesmente um momento de descanso, a transição entre dois atos do destino, dos quais um acaba e o outro se prepara. Quando a minha pobre alma, errante há tantos séculos através dos mundos, depois de muitas lutas, vicissitudes e decepções, depois de muitas ilusões desfeitas e esperanças adiadas, for repousar de novo no teu seio, será com alegria que saudará a aurora da vida fluídica; será com ebriedade que se elevará do pó terrestre, através dos espaços insondáveis, em direção aqueles a quem estremeceu neste mundo e que a esperam.
Para a maior parte dos homens, a morte continua a ser o grande mistério, o sombrio problema que ninguém ousa olhar de frente. Para nós, ela é a hora bendita em que o corpo cansado volve à grande Natureza para deixar à Psique, sua prisioneira, livre passagem para a Pátria Eterna.
Essa pátria é a Imensidade radiosa, cheia de sóis e de esferas. Junto deles, como há de parecer raquítica a nossa pobre Terra” O Infinito envolve-a por todos os lados. O infinito na extensão e o infinito na duração, eis o que se nos depara, quer se trate da alma, quer se trate do Universo.
Assim como cada uma das nossas existências tem o seu termo e há de desaparecer, para dar lugar a outra vida, assim também cada um dos mundos semeados no Espaço tem de morrer, para dar lugar a outros mundos mais perfeitos.
Dia virá em que a vida humana se extinguirá no Globo esfriado. A Terra, vasta necrópole, rolará, soturna, na amplidão silenciosa.
Hão de elevar-se ruínas imponentes nos lugares onde existiram Roma, Paris, Constantinopla, cadáveres de capitais, últimos vestígios das raças extintas, livros gigantescos de pedra que nenhum olhar carnal voltará a ler. Mas, a Humanidade terá desaparecido da Terra somente para prosseguir, em esferas mais bem dotadas, a carreira de sua ascensão. A vaga do progresso terá impelido todas as almas terrestres para planetas mais bem preparados para a vida. É provável que civilizações prodigiosas floresçam a esse tempo em Saturno e Júpiter; ali se hão de expandir humanidades renascidas numa glória incomparável. Lá é o lugar futuro dos seres humanos, o seu novo campo de ação, os sítios abençoados onde lhes será dado continuarem a amar e trabalhar para o seu aperfeiçoamento.
No meio dos seus trabalhos, a triste lembrança da Terra virá talvez perseguir ainda esses Espíritos; mas, das alturas atingidas, a memória das dores sofridas, das provas suportadas, será apenas um estimulante para se elevarem a maiores alturas.
Em vão a evocação do passado, lhes fará surgir à vista os espectros de carne, os tristes despojos que jazem nas sepulturas terrestres. A voz da sabedoria dir-lhes-á: “Que importa as sombras que se foram! Nada perece. Todo ser se transforma e se esclarece sobre os degraus que conduzem de esfera em esfera, de sol em sol, até Deus”. Espírito imorredouro, lembra-te disto: “A morte não existe”.
APRENDER PARA BEM MORRER -
Para algumas pessoa, a morte é tormento. Para outros, no entanto, a morte é descanso. Depois de um longo período de sofrimento físico e desgaste emocional, a morte é, sem dúvida, descanso e, tenha a certeza de que ela, a certa altura, passou a ser muito desejada. Desejada como meio de interromper o sofrimento.
Poderíamos, então, dizer que a morte pode vir a ser um tormento, ou que ela pode vir a ser um repouso. Sobretudo, ela será uma coisa ou outra de acordo com a maneira como utilizamos o nosso tempo de vida presente. O tempo que corre rápido e continuamente, deixando marcas de realizações ou frustrações em sua passagem.
O ontem, o hoje e o amanhã... É assim que ele se divide. Se observarmos bem, veremos o quão rápido o amanhã se torna em hoje e o hoje em ontem.
A vida terrena é breve como a brisa que passa.
Eternos, em verdade, são o amor, a compaixão, e a bondade.
“Se quiseres poder suportar a vida, fica pronto para aceitar a morte.”, diz o pai da Psicanálise Sigmund Freud. A Psicanálise ensina, seguindo a teoria das pulsões do seu fundador,Sigmund Freud, que existem em nossas vidas duas pulsões contrárias: EROS, uma pulsão sexual com tendência à preservação da vida, e a pulsão de morte, ou THANATOS, que levaria à segregação de tudo o que é vivo, à destruição. Ambas as pulsões não agem de forma isolada, estão sempre trabalhando em conjunto. Como no exemplo de se alimentar, embora haja pulsão de vida presente, afinal a finalidade de se alimentar é a manutenção da vida, existe também a pulsão de morte presente, pois é necessário que se destrua o alimento antes de ser ingerido, e aí está presente um elemento agressivo, de segregação.
A morte é o fenômeno natural que mais deveria ser discutido, por ser a única certeza que temos na vida. Deveria ser discutido tanto em religião, ciência e opiniões diversas. A maioria de nós evita sequer pronunciar seu nome. Para os céticos, os descrentes, a morte compreende o cessar da consciência, exatamente quando o cérebro deixa de executar suas funcionalidades. Nós espíritas, no entanto, acreditamos ser ela uma passagem para uma outra dimensão, cuja realidade é mais perfeita e que é a continuidade da vida física.
O conhecimento a respeito da morte e, sobretudo, a respeito da vida além túmulo nós levará a compreender o porquê do medo que as pessoas desenvolvem em relação à morte e a necessidade de que nos prepararemos para ela. Chegaremos, então, à conclusão de que precisamos, sim, aprender a morrer.
Quando morre alguém, sentimo-nos todos tomados por um sentimento de perda e dor. É natural, gostamos da pessoa e desejamos que ela continue vivendo conosco. Mas, a morte, inegavelmente, é a única certeza da vida e está enquadrada nos acontecimentos normais da existência de todo mundo. A todo instante, partem jovens e velhos, sadios e enfermos, ricos e pobres, brancos e negros, crentes ou descrentes. Partem como se a hora fora chegado e como se nossa lógica baseada no tempo cronológico não fizesse sentido. Pode-se morrer depois de um longo tempo, como se pode morrer cedo, jovem.
Para a maior parte dos homens, a morte continua a ser o grande mistério, o sombrio problema que ninguém ousa olhar de frente. Para os espíritos conscientes, ela é a hora bendita em que o corpo cansado volta à grande Natureza para deixar à Psique, sua prisioneira, livre passagem para a Pátria Eterna.
A Doutrina Espírita considera a morte biológica como sendo a interrupção do fluxo vital que mantém os órgãos físicos em funcionamento. Quando ocorre a interrupção do funcionamento cerebral e, consequentemente, a paralisação do tronco encefálico, dá-se o fenômeno denominado morte.
Para o Espiritismo, a morte da roupa carnal serve para libertar o Espírito temporariamente aí encarcerado, a fim de que prossiga no processo de evolução, no rumo da plenitude ou Reino dos Céus.
Morrer, desse modo, é encerrar o ciclo biológico, facultando o prosseguimento da vida do Espírito em outros campos vibratórios, além da dimensão física.
Precisamos saber e compreender que, muitas vezes, as pessoas pelas quais choramos e que vamos procurar no cemitério estão ao nosso lado, convivendo conosco. As mais evoluídas e com ligação efetiva, por exemplo, vêm socorrer-nos em nossas aflições. Aqueles que foram o amparo da nossa juventude, os nossos pais, que nos embalaram nos braços, vêm tentar nos ajudar e socorrer quando estamos aflitos. Do mesmo modo, os amigos, companheiros das nossas alegrias e das nossas dores. Podemos acrescentar também todos os meigos seres que encontramos no nosso caminho, os quais participaram da nossa existência e que levaram consigo alguma coisa de nós mesmos, da nossa alma e do nosso coração nesta existência e nas anteriores. Ao redor de nós flutua a multidão das pessoas que sumiram na morte, multidão confusa, que revive, nos chama e nos mostra o caminho que precisamos percorrer.
Muitas pessoas se perguntam, talvez temerosas do momento em que também terão que enfrentar a circunstância a morte, se ela dói. Será que dói morrer? O que nos ensinam os espíritos a respeito do instante da morte?
Eles nos ensinam que, no instante da morte, todo homem retorna ao mundo dos espíritos, pátria de onde todos nós viemos. Uma vez no chamado “outro mundo”, conserva plenamente sua individualidade. A separação da alma e do corpo não é dolorosa. É apenas atordoante e provoca um certo torpor. Mais dói nascer do que morrer, dizem-nos os espíritos. O corpo sofre mais durante a vida que no momento da morte.
A alma se liberta com o rompimento dos laços que a mantinham presa ao corpo e
a sensação que se experimenta, no momento em que se reconhece no mundo dos espíritos, depende do que fez em vida. Se foram bons, sentirão enorme alegria. Se foram maus, sentirão vergonha.
Normalmente, reencontra aqueles que partiram antes, se já não reencarnaram, é claro. Se já não voltaram à terra para uma nova experiência e um outro corpo de carne.
Depois da morte, a consciência de si mesmo vem aos poucos. Passa-se algum tempo de perturbação, convalescente, cujo tempo de duração depende da elevação de cada um ou da situação de saúde do perispírito: o corpo que envolve o espírito propriamente dito.
Compreender, antes, a morte exerce grande influência sobre o tempo de perturbação, mas o que realmente alivia a perturbação são a prática do bem e a pureza de consciência.
Quer saber se vai para o inferno ou umbral quando você desencarnar no final dessa existência?
Não precisa chegar até esse dia para saber, pergunte-se agora, avalie-se:
- O que você está emitindo para o Universo? É amor, ódio, alienação e lixo psíquico?
- Como se sente agora? Deprimido ou contente com a vida? Suas emoções irão com você também.
- Quais são as suas atitudes, seu padrão moral e sua ética?
- Tem amor dentro de si e o expressa aos seus semelhantes e ao mundo à sua volta?
- Ama o seu próximo como a si mesmo?
- Faz para o outro somente aquilo que quer que façam consigo?
Pronto! É isso que acontece!
O tipo de morada que sua alma imortal irá encontrar após sua passagem no final dessa vida depende muito das respostas dessas perguntas ...
domingo, 26 de outubro de 2014
A RAZÃO DA EMOÇÃO - Noelio Mello
Tantas vezes me perguntei como agir após uma emboscada do destino, uma traição da vida, um momento infeliz. Se através da razão ou da emoção. Muitos exemplos me ensinam a fazer o uso do bom senso, do equilíbrio, sem saberem, todavia, se meu coração navega num mar de tranquilidade ou está perto de explodir de emoções absolutamente impossíveis de conter.
Mas, como condenar tantos avisos que, embora pareçam sábios, esses conselheiros não podem ver o que está oculto dentro do meu peito?
Fico cismando de vez em quando de como utilizar a razão, quando precisamos cuidar das coisas da alma e do coração? Como raciocinar livre para desprezar um passado que continua presente? Como construir o futuro com os tijolos do bom senso, se as paredes do nosso espírito são desenhadas com a tinta rubra da emoção?
Como tomar decisões à luz da razão, quando nos corredores da nossa existência vivem em estranhas núpcias, o amor, as suas perdas, suas conquistas, o ciúme, a desforra, o despeito, uma saudade que nunca finda?
Como viver, afinal, entre a razão e a emoção, sem que nosso interior seja o grande palco de um duelo sentimental entre essas duas guerreiras da alma, que confundem nossos sentidos, brincam com o tempo, criam e matam esperanças, desafiam a felicidade, julgam, absolvem e condenam tantos outros sentimentos?
Se muitos pudessem ver o teatro oculto do nosso espírito, não ficariam a exigir que nossos atos naveguem sempre nos mares serenos da prudência. Se pudessem devassar as cortinas que escondem nossas inquietações mais íntimas, veriam que a razão da emoção é a maior verdade de todas as verdades.
A razão é dura. A emoção sonha. A razão é fria. A emoção é ardente. A razão é insípida. A emoção é doce. A razão é imparcial. A emoção toma partido da paixão, tem o olhar da alvorada, a sensibilidade do crepúsculo.
Jamais os amores que tem o cheiro do eterno começaram no berço da lógica. Nem um gesto de razão deu início aos olhares que escreveram histórias que só os corações apaixonados sabem contar.
Ninguém, na realidade, se encanta com as esquinas enluaradas, com o caminho das estrelas, com a poesia saída das almas dos amantes tocadas pelas flechas da razão.
São os dardos da fantasia que escrevem no livro da vida todas as receitas que contam as procissões de emoções que andam pelo nosso interior.
A razão é apenas a tinta sem perfume que ensina e conserta as coisas materiais. A emoção conserta a vida, o amor, o desamor. Muitos dizem que a razão é que desenha a calma nas faces dos homens. Mas o que importa, se algumas vezes, a emoção nos faz derramar um pranto que não cessa?
Só choramos pelo o que amamos. Pelo que queremos ardentemente. Pelo que perdemos. Pelo que nos sufoca a alma ou nos acelera o coração.
A efemeridade da vida ensinou-me que posso renunciar a tudo, exceto ao amor, ao que remexe minhas entranhas, ao andar das emoções que me fazem adormecer num floco jaspeado de nuvens.
O caminhar intrigante do tempo fez com que eu me encantasse pelos perfumes do desconhecido, por um sonho que ainda não sonhei, por uma manhã que ainda não vivi, pelo colorido de uma emoção que ainda vai acontecer.
Pouco importa o futuro, se a história que ele vem contando a insipidez da razão há muito já me confidenciou.
EMOÇÕES POSITIVAS E EMOÇÕES PREJUDICIAIS -
A palavra emoção origina-se do verbo latino “emovere”, que significa mover ou movimentar. Daí podermos entender emoção como qualquer tipo de sentimento que produza na mente algum tipo de movimentação, que tanto pode ser positiva, negativa ou mesmo neutra.
Quando experimentamos a emoção, o importante são o seu propósito e as suas consequências. Quando se direciona ao bem-estar, à paz, à alegria de viver e de construir, contribuindo em favor do próximo, podemos considerá-la como positiva ou nobre, porque é edificante e realizadora. No entanto, se se trata de uma emoção inquieta, estimulando transtorno e ansiedade, conduzindo nossa mente a distúrbios de qualquer natureza, nós podemos considera-la negativa ou perturbadora, levando a pessoa que a experimenta a necessitar de orientação e equilíbrio.
Os resultados das nossas emoções serão analisados pelos efeitos que produzam no indivíduo e naqueles com os quais convive, estabelecendo harmonia ou gerando conflitos e empecilhos.
São as emoções responsáveis pelos crimes hediondos, quando transtornadas, assim como pelas grandes realizações da humanidade, quando direcionadas para os objetivos edificantes do ser.
No primeiro caso, proporciona sofrimento e angústia, desespero e desgaste. No segundo, desfruta-se de alegria de viver e de produzir o bem.
Para um, são necessárias ferramentas específicas, tais como a cólera, o ódio, o ressentimento, a desonestidade, que levam ao crime e a todas as ramificações do mal. Para o outro, no entanto, são necessários o amor, a bondade, a compaixão.
No primeiro caso, constatamos a pequenez moral, o primarismo em que se detém o ser humano, enquanto que, no segundo encontramos a nobreza de caráter e dos sentimentos edificantes.
As emoções, do ponto de vista psicológico, podem ser agradáveis ou desagradáveis, estabelecendo identidades, tais como aproximação, medo, repugnância e rejeição.
O importante em relação às emoções é o esforço que deve ser desenvolvido a fim de que se possa transformas as emoções nocivas em úteis.
Quando nossas emoções se mostram prejudiciais, é sinal de que precisamos trabalhá-las, porque algo em nós mesmos não se encontra saudável, nem bem orientado. Ao invés de dar expansão às nossas tempestades interiores, devemos procurar examinar em profundidade a razão pela qual assim nos encontramos e, em seguida, tentar alterar o direcionamento dessas emoções.
As nossas emoções têm sua origem nas nossas experiências anteriores. Elas são reflexos das emoções que vivemos anteriormente e que nós permitimos, como consequência, o estabelecimento de paisagens internas de harmonia ou de conflitos.
Em vez de lutarmos contras as nossas emoções, mesmo aquelas denominadas prejudiciais, precisamos nos esforçar para desviar-nos daquilo que possa significar danos em relação a nós mesmos ou a outras pessoas.
Muitas vezes, não podemos evitar certos momento em que as emoções nocivas são mais do que as agradáveis. A indisciplina mental e de comportamento abrem espaços para que se elas aconteçam e até se expandam. No entanto, a vigilância, ao lado do desejo de evitar danos morais, vai nos oferece recursos para que possamos impedir as sucessivas consequências infelizes de certas emoções.
Nem sempre é possível evitar ocorrências que desencadeiam emoções violentas. Podemos, no entanto, equilibrar o desenrolar de sua explosão e o direcionamento dos seus efeitos.
Raramente alguém é capaz de permanecer emocionalmente neutro em uma situação conflitiva, especialmente quando o seu ego é atingido. Irrompe, automaticamente, a hostilidade, em forma de autodefesa, de acusação defensiva, de revide...
Pode-se, no entanto, evitar que se expanda o sentimento hostil, administrando-se as reações que produz, mediante o hábito de respeitar o próximo. Desse modo, torna-se fácil superar o primeiro impacto e corrigir e bloquear as possíveis consequências de uma emoção de ira ou de raiva.
É necessário que sempre assumamos nossas emoções. Precisamos deixar de lado a hipocrisia do faz de conta de que não sentimos determinadas emoções. A tão desejada paz interior só acontecerá quando deixarmos de negar o que circula na nossa própria vida.Negar os próprios sentimentos, sejam eles quais forem, é declarar uma guerra consigo mesmo. E aí a paz nunca será possível. O mais importante é a percepção constante e ativa sobre o que mais nos consome ou desgasta; assim como o quenos gera crescimento e sabedoria. Precisamos nos conhecer e o que há de mais interessante na questão do autoconhecimento é que, ao mesmo tempo em que se trata de uma busca essencialmente individual, o espelho de nossa alma só será revelado nos relacionamentos que criarmos. A solidão pode ser uma etapa de reflexão, mas é também algo gerador de imensa tristeza e dormência para o sujeito, sobretudo a solidão prolongada. Cada ser humano carrega potencial e, ao mesmo tempo, um número de dificuldades ou bloqueios que impedem o fluir de determinadas emoções ou etapas que potencializem a evolução da pessoa; então, a sabedoria é não amplificar a carga histórica das nossas experiências desagradáveis. A busca pelo autoconhecimento vai nos levar, de alguma forma, a um sentimento de misericórdia para conosco mesmos, o que poderá aplacar todas as consequências negativas de stress e ansiedade.
De modo geral, vivemos mais mergulhados no passado e na expectativa do futuro do que mesmo no presente. E aí, o presente se torna apenas em espera, ansiedade e sofrimento.
Por vivermos desligados de nós mesmos e, às vezes, em inteiro desconhecimento de quem somos, quase nunca conseguimos encarar ou atinar para o problema que nos aflige. Ou é uma saudade uma saudade corrosiva de algo ou alguém que perdemos, ou um desejo de segurança e retenção de algo quenos dá prazer, mas ao mesmo tempo sabendo que um dia irá cessar. Infelizmente repetimos a todo tempo experiências negativas e desagradáveis, e nos tornamos escravos de relacionamentos doentios. Quais são as razões que nos fazem aproximar-nos de outras pessoas? Entre outras razões, podemos citar medo da solidão, interesses, medo de ser enquadrados em conceitos, vazio. O amor não acontece com frequência porque não fomos educados para ele. Geralmente o que buscamos no outro é a realização ou concretização do companheiro idealizado, imaginário, da fantasia. O amor é o sentimento que acontece quando o outro toca nosso coração, quando sua mão é capaz de aquecer nossa alma. Não é fácil e muitos são os que passam toda uma vida nessa busca.
domingo, 19 de outubro de 2014
CONFLITOS E EMOÇÕES -
Vamos falar sobre emoções. Sobre as nossas emoções. Inicialmente, precisamos nos convencer de que não devemos lutar contra nossas emoções, mesmo aquelas que são chamadas de prejudiciais. Em vez de lutar contra elas, precisamos fazer esforço para desviar-nos de tudo que possa causar danos a nós mesmos ou a outra pessoa.
Sem que possamos evitar, acontecem momentos em que as emoções prejudiciais acontecem com frequência. A nossa indisciplina mental e de comportamento abrem espaços para que essas emoções se expandam. No entanto, a vigilância, ao lado do desejo de evitar danos morais, oferecem recursos para impedir as sucessivas consequências infelizes que essas emoções podem nos causar.
É claro que nem sempre é possível que possamos evitar acontecimentos que desencadeiam emoções violentas. Podemos, no entanto, equilibrar o curso de sua explosão e o direcionamento dos seus efeitos.
Raramente alguém é capaz de permanecer emocionalmente neutro em uma situação conflitiva, especialmente quando o seu ego é atingido. Irrompe, automaticamente, a hostilidade, em forma de autodefesa, de acusação defensiva, de revide... É necessário que você tenha um grande controle emocional para, diante de uma agressão, por exemplo, manter-se sereno e não reagir.
Podemos, no entanto, evitar que se expanda o sentimento de hostilidade que vem como consequência do conflito , administrando as reações que produz, mediante o exercício e hábito de compreender as razões do outro e o consequente respeito ao próximo. Torna-se fácil, desse modo, superar o primeiro impacto e corrigir-se o rumo daquele que se transformou devido a uma emoção de ira ou de raiva.
Somente quando você desenvolve o auto conhecimento e a consequente consciência de si mesmo, dos valores que lhe caracterizam, das possibilidades de que dispõe, é que se torna possível exercer um controle sobre as suas emoções, no sentido de gerenciá-las e administrá-las, evitando que as emoções perniciosas se manifestem ante qualquer motivação de conflito e dando oportunidade para que as emoções edificantes sejam equilibradas, impedindo os excessos que sempre são prejudiciais.
E quando nós vivemos cultivando as lembranças das emoções danosas, através do ressentimento, há mais facilidade para que outras se expressem ante qualquer circunstância desagradável. Como não se pode nem se deve viver de ressentimentos por causa de emoções dolorosas, o ideal é diluir em novas experiências todas aquelas que causaram dor e hostilidade.
Isso é possível, mediante o cultivo constante de pensamentos de paz e de solidariedade, criando um campo mental de harmonia, capaz de manifestar-se por automatismo diante de qualquer ocorrência geradora de aflição. Se, no entanto, vivo em pé de guerra, e são muitos que assim vivem, em relação às outras pessoas, qualquer conflito mínimo será motivo para um desgaste emocional terrível.
O Mahatma Gandhi, apóstolo da não-violência, afirmava que não se deve matar o indivíduo hostil, mas matar a hostilidade nesse indivíduo, o que correspondente ao comportamento pacífico encarregado de desarmar o ato agressivo de quem se faz adversário.
Eis porque a resistência passiva consegue os resultados excelentes da harmonia. Provavelmente, o outro, o inimigo, não entenderá de momento a não-violência daquele a quem agride, mas isso não é importante. O que importa mesmo é não permitir que a perturbação de fora alcance o espaço da sua tranquilidade interior.
O grande desafio é eliminar os sentimentos negativos, o que não é fácil. A saída mais eficaz é diluí-los mediante outros sentimentos de natureza harmônica e saudável.
Todos nós sabemos que a suspensão da angústia, da ansiedade, da raiva proporciona felicidade. Não será com o desaparecimento de um tipo de emoção que se desfrutará imediatamente de outra. A questão deve ser colocada de maneira mais segura, trabalhando-se, sim, pela eliminação das emoções perturbadoras, porém, ao mesmo tempo, cultivando-se e desenvolvendo-se aquelas que são saudáveis e que dão prazer.
Não se torna suficiente, portanto, libertar-se daquilo que gera mal-estar e produz decepção, mas agir de maneira correta, a fim de que se consiga alegria e estímulo para uma vida produtiva.
Viver por viver é apenas existir, é puramente biológico, automático. É necessário que vivamos em paz, que vivamos bem. E isso não significa o tradicional conceito de que viver bem é viver de bem com tudo e com todos, com bastante dinheiro e posição social, coisas que já sabemos são transitórias, que estão destinadas a um fim.
Pensa-se que é uma grande conquista não se fazer o mal a ninguém. Lembre-se de que não fazer o mal ainda não é fazer o bem. Sem dúvida não fazer o mal já é alguma coisa, mas é indispensável fazer-se o bem, fazer o bem ao outro, elevando-se, assim, moralmente. Para isso é que aqui estamos.
Quando se está com a emoção direcionada ao bem e à evolução moral, o pensamento torna-se edificante e tudo concorre para a ampliação do sentimento nobre. Mas o contrário também acontece: quando existe o direcionamento negativo, as suspeitas que se acolhem, a hostilidade gratuita que se desenvolve, tudo isso contribui para que o indivíduo permaneça armado, porque ele sempre se considera vítima, uma vítima desarmada.
Mediante o cultivo das emoções positivas, torna-se mais fácil a percepção da verdade, das atitudes gentis, dos sentimentos solidários, enquanto que a constância das emoções prejudiciais provoca a distorção da visão em torno dos acontecimentos, gerando sempre mau humor, azedume e malquerença.
Quando nós alcançarmos o amor altruísta, o amor pelos outros, haverá o sentimento da real fraternidade e o equilíbrio real no ser em busca de si mesmo e de Deus.
Jesus permanece sendo o exemplo máximo do controle das emoções, não se deixando perturbar jamais por aquelas que são consideradas perniciosas. Em todos os Seus passos, o amor e a benevolência, assim como a compaixão e a misericórdia, estavam presentes, caracterizando a referência ideal, guia e modelo para todos os indivíduos.
Traído e encaminhado aos Seus inimigos, humilhado e condenado à morte, não teve sequer uma emoção negativa, mantendo-se sereno e confiante, ensinando em silêncio o testemunho que é pedido a todos quantos se entregam a Deus e devem servir de modelo à humanidade.
Somos seres emocionais e não podemos viver sem as emoções. Precisamos, no entanto, valorizar e cuidar mais daquelas que nos edificam no lugar das que perturbam. Esse é, sem dúvida, um grande desafio para todas as pessoas inteligentes aqui na terra.
Uma coisa muito frequente que acontece a muitas pessoas é valorizar demais tudo o que as pessoas dizem ou fazem. Valorizam de tal maneira a dar excessivo valor a tudo que elas dizem ou fazem. Na vida cotidiana você tem contato com muita gente e acontece que as pessoas, na sua grande maioria usam máscaras, inclusive você. Afinal de contas são tantos papeis e personagens na vida, você é filho(a), mãe/pai, estudante, profissional, trabalhador, amante, amigo, companheiro e muitas vezes só não é conhecido de si mesmo. Se fragmenta entre tantas personas, ou máscaras, que muitas vezes, nada sabe de você, quem é este você, além destes papeis. Por não conhecer-se, sente, então, um vazio, uma espécie de buraco dentro do peito, aquele aperto no coração. E, muitas vezes, você tem tudo, mas parece que tudo falta.
Pois é, a verdade é que falta você dentro de você.
Quando não se tem ou se perde a conexão, a cumplicidade de nós conosco, vive-se perdido, vulnerável. Parece tão fácil e simples dizer isto. Mas é uma verdade que somente cada um saberá compreender. As pessoas lhe prometem coisas, dizem que lhe adoram, que você é fantástico, que querem ajudá-lo, ficam com você algum tempo, e quando você pensa que sempre terá esta energia, as pessoas mudam, algumas até fingem que não o vêem. Acorde, não espere nada de ninguém, seja sempre mais você... Isto não é um simples conselho, é essencial que assim aja. Afinal, cada um tem suas necessidades e problemas, portanto supra as suas carências, se importando com você, sendo seu próprio amigo, conselheiro, consultor, ficando do seu próprio lado, sem se punir, sem se massacrar interiormente achando que os outros sempre têm razão. Os outros se importam com eles mesmos em primeiro lugar, e você, em que lugar se coloca? Isto não significa que não tenha amizades. Mas precisa avaliar que tipo de amizade está alimentando? Fofoqueiros, interesseiros e vampiros sugadores de energia? Fique mais atento a isto... Amizades apenas para não se sentir sozinho significa apenas um ajuntamento de pessoas que se resume a número. Amar todo mundo é amar ninguém, não é verdade?
Para você se sentir em você, ou seja, sentir você dentro de você, se escutar, dialogar consigo mesmo, é essencial que se conheça. Afinal, quem é você? Como você se sente agora? Não sabe? Então, comece a se observar, observando suas reações, seus pensamentos, tudo que sente... Pare um tempo para focar em você, no seu interior, isto se chama meditar, e é simples, desligue o aparelho de televisão, o computador, o celular e fique alguns minutos num lugar calmo, só você com você, não ligue para os pensamentos: deixe-os vir, afaste-os, foco na respiração... sinta esse bem estar interior que surge quando você se permite soltar, sinta a leveza do ser, de ser... você! Observe os sentimentos que existem em você e que você está sempre tentando negar. Isto acontece com muitos de nós. Tentamos negar a existência de sentimentos negativos como a raiva, o ódio, o ressentimento e o desejo de vingança.
domingo, 12 de outubro de 2014
O QUE A VIDA TEM ME ENSINADO -
A vida tem me ensinado e eu tenho aprendido...
A dizer adeus às pessoas que amo, mas sem tirá-las do meu coração;
Sorrir para as pessoas que não gostam de mim,
Para mostrar a elas que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem, quando isso não é verdade,
para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;
Calar-me para ouvir; aprender com meus erros.
Afinal eu posso ser sempre melhor.
A lutar contra as injustiças; sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo.
A ser forte quando os que amo estão com problemas;
Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho;
Ouvir a todos que só precisam desabafar;
Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente, pois já precisei ou precisarei desse perdão;
Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor;
A alegrar a quem precisa;
A pedir perdão;
A sonhar acordado;
A acordar para a realidade (sempre que for necessário);
A aproveitar cada instante de felicidade;
A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;
Me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas",
embora nem sempre consiga entendê-las;
A ver o encanto do pôr-do-sol;
A sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser;
A abrir minhas janelas para o amor;
A não temer o futuro;
Me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente,
como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenho que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher.
O bom da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história. O bom da vida é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o AQUI e AGORA!
Claro que a vida às vezes prega peças : o bolo queima ou sola, o pneu fura, chove demais, faz calor demais. Mas... pense um pouco : tem graça viver sem rir, mas rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia? Será que não nos tem faltado um pouco de humor diante da dor, do sofrimento e da desgraça? Se a dor, o sofrimento e a desgraça nos levam, no mínimo, ao aprendizado, por que temos que olhá-los como inimigos. Quando os compreendermos como desafios, possivelmente passaremos a chamá-los de irmã-dor, irmão-sofrimento, irmã-desgraça.
O escritor nos diz que “existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta que sofrer é uma perda de tempo”. Pense nisso. Quanto de sofrimento não temos buscado por falta de jeito para ser feliz.
Às vezes esperamos demais das pessoas... tudo bem... é normal, mas se elas não corresponderem a nossas expectativas, a culpa não é delas... A culpa é das expectativas que nós mesmos criamos.
Sofremos com a grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou... tudo isso faz parte... é normal.
Devemos transformar tudo em uma boa experiência.
O nosso desejo não se realizou? Sem problema! Vai ver que não estava na hora, não deveria ser a melhor coisa para esse momento. E aí lembro-me de uma frase : “Cuidado com seus desejos, eles podem se tornar realidade”.
Chorar de dor, de solidão, de tristeza, tudo isso faz parte da condição humana. Não adianta lutar contra isso. Sempre haverá falta de algo. Acredito que, ou nos conformamos com a falta de algumas coisas, ou não nos esforçaremos para realizar todos os nossos desejos. Onde estará o impulso da vida, se não contarmos com a força dos desejos? Mas, seja forte o suficiente para enfrentar os obstáculos; paciente para saber esperar os resultados; e capaz de reconhecer, no final de tudo, seu esforço e ver que ele não foi em vão.
No final de cada jornada – e a vida é cheia delas – olhe para trás e enxergue uma vida maravilhosa, cheia de alegrias, viagens, sorrisos, amores, paixões, beijos, abraços, amigos, realizações, conquistas. Tenha inúmeros bons momentos dos quais possa lembrar; veja o por do sol e o seu nascer; tenha momentos difíceis também; eles nos ensinam a crescer e foi para isso que viemos.
Tenha noites de insônia, daquelas que acabam virando momentos reflexivos de nossa vida. Mas tenha também noites de poucas horas de sono, por causa daquela festa a que não se recusou ir.
Ao olhar pra trás, veja que cometeu algumas loucuras, alguns erros, em certos momentos, mas olhe-se com misericórdia e perdoe-se. A vida precisa de um pouco de equilíbrio... A cada fase, seus problemas. Eles são nossos companheiros constantes... Quem não os tem?
Chore, quando for preciso desabafar aquela agonia incontrolável. Sinta-se cansado, exausto... mas de tanto pular, gritar, dançar e cantar... E que no fim da noite você possa pensar sozinho consigo: VALEU A PENA!!!
Não se esqueça : a vida não é um rascunho... a gente não tem a chance de passar a limpo o que escrever!
O TERCEIRO ATO -
Uma das maiores mudanças , a que podemos chamar de revolução, no último século, foi a da longevidade. Nenhuma foi tão significativa como a possibilidade de viver mais. Hoje se vive muito mais do que se vivia no século passado. Estamos vivendo em média, hoje, 34 anos a mais do que nossos bisavós. Isso significa viver um completo segundo período de vida adulta que foi acrescentado à nossa expectativa de vida. Apesar disso, ainda continuamos vivendo sob a influência da antiga visão de que a vida tem sua curva de ascendência e, depois dos trinta anos, a curva da decadência, submissos à lei da entropia, segundo a qual tudo e todos estão fadados ao desgaste e a desaparecer. Em outras palavras, você nasce, atinge o auge na meia-idade e declina para a decrepitude. Idade como patologia, como doença.
Filósofos, artistas, médicos, cientistas e muitas outras pessoas estão, hoje, lançando um novo olhar para o que podemos chamar de terceiro ato, ou seja, as três últimas décadas da vida. Essas pessoas percebem que esse período é, na verdade, um estágio de desenvolvimento da vida com sua própria significância – tão diferente da idade madura quanto a adolescência é da infância. E estão questionando, e todos nós deveríamos estar questionando, como usamos esse tempo a mais. Qual a melhor maneira de vivê-lo plenamente? Qual o novo significado para o envelhecimento hoje? A ciência já pesquisou sobre este assunto e fez novas descobertas. Descobriu-se, por exemplo, que a imagem mais adequada para representar o envelhecimento é uma escadaria – a ascensão para o topo do espírito humano, trazendo-nos sabedoria, completude e autenticidade. De forma nenhuma idade como doença; idade como potencial. E esse potencial não é para poucos felizardos. Hoje a maioria das pessoas acima de 50 anos sente-se melhor, é menos estressada, é menos hostil, menos ansiosa. Tendemos a ver o que temos em comum mais que as diferenças. Alguns estudos dizem até mesmo que somos mais felizes. Isso não é o que se esperava, acreditem. Muitos de nós vêm de uma longa linhagem, ou descendência, de antepassados depressivos. Antigamente, quando alguns se aproximavam dos seus 40 anos, assim que acordavam de manhã, seus seis primeiros pensamentos eram todos negativos. Era mesmo de assustar. Assim, alguém pensava: “puxa vida, vou me tornar uma velhota, ou um velhote, mal-humorada.” Mas, agora que muitos estão, de fato, precisamente no meio de seu terceiro ato, percebem que nunca foram tão felizes. Essas pessoas têm uma tremenda sensação de bem-estar. E elas descobriram que, quando se está dentro da velhice, em vez de olhar para ela do lado de fora, deve-se olhar o que foi construído por dentro, e aí o medo se aquieta. Você notará que ainda é você mesmo, ou talvez até mais. O pintor espanhol, Pablo Picasso, disse uma vez que “se leva um longo tempo para se tornar jovem”. Não pretendo tornar a velhice romântica. Obviamente, não há garantia de que a velhice seja um tempo de fruição e crescimento. Alguma coisa disso é uma questão de sorte. Alguma coisa disso é, obviamente, genético. Um disso, de fato, é genético. E não há muito que possamos fazer sobre isso. Mas isso significa que, para dois terços de quão bem desempenhamos no terceiro ato, podemos fazer algo. Não esqueçamos também que para se chegar ao terceiro ato, há que renunciar a certas coisas e fazer melhores escolhas. Vamos examinar o que podemos fazer para tornar esses anos adicionais realmente bem sucedidos e usá-los para fazer a diferença.
O mundo inteiro opera com uma lei universal: a entropia, a segunda lei da termodinâmica. Entropia significa que tudo no mundo está num estado de declínio e decadência. Há apenas uma exceção a essa lei universal e isso é o espírito humano, que pode evoluir em direção ao topo, trazendo-nos para completude, autenticidade e sabedoria.
Precisamos compreender definitivamente que nós não temos espírito. Nós todos nós somos espíritos. Muitas vezes, o espírito que somos fica soterrado debaixo de desafios da vida, violência, abuso, negligência. Talvez nossos pais sofressem de depressão sem que o soubessem. Talvez eles não fossem capazes de nos amar além daquilo que tentaram. Talvez ainda soframos com uma dor psíquica, uma ferida, que trouxemos e ainda não foi cicatrizada. Talvez experimentemos a sensação de que muitos de nossos relacionamentos não tiveram uma conclusão. Amores inacabados; amores que precisavam ter sido de todo vivenciados. Daí nos sentirmos inacabados, em falta com a vida. Esse pode ser o exercício do terceiro ato: terminar a tarefa de encerrar a nós mesmos. Imaginemos que nossa vida é como uma peça de teatro, uma peça que não admite ensaio. Essa peça é dividida em três atos com duração de trinta anos cada um deles, se vivermos noventa anos. Para alguns, a tarefa de encerrar a si mesmos começou quando se aproximavam do seu terceiro ato, no seu aniversário de 60 anos.
Como é para se viver? O que tem para realizarmos nesse ato final? Para que saibamos para onde estamos indo, precisamos saber onde estivemos. Então, as pessoas que conseguirem chegar ao terceiro ato precisam voltar e analisar seus dois primeiros atos, tentando ver quem elas eram na época, quem elas realmente eram – não quem seus pais ou outras pessoas lhe disseram que eram, ou lhes trataram como se elas fossem. Mas quem elas realmente eram. Quem foram seus pais – não como pais, mas como pessoas. Quem foram seus avós e como eles trataram seus pais. Aí está a sua história. Isso é o se chama pelos profissionais da Psicologia de análise da vida. Ela pode dar nova significância, clareza e sentido à vida de uma pessoa. Através desse processo de análise, você pode descobrir, como essas pessoas fizeram e chegará à conclusão de que muitas coisas que você costumava pensar que eram falha sua, muitas coisas que costumava pensar sobre você mesma, na verdade, não tinham nada a ver com você. Não era falha sua; tudo era consequência da forma de agir daqueles que o antecederam. E assim poderá se libertar de seu passado. Você poderá mudar sua relação com seu passado.
Tudo na vida pode ser tirado de você, exceto uma coisa, sua liberdade de escolher como você responderá a uma situação. Isso é o que determina a qualidade de vida que vivemos, e qualidade de vida aqui não significa se somos ricos ou pobres, famosos ou anônimos, saudáveis ou doentes. O que determina nossa qualidade de vida é como nos relacionamos com essas realidades, que tipo de significado atribuímos a elas, que tipo de atitude mantemos sobre elas, que estado mental permitimos que elas provoquem.
Talvez o objetivo principal do terceiro ato, para aqueles que chegarão a ele, seja voltar e tentar, se apropriado, mudar nossa relação com o passado. Acontece que estudos cognitivos demonstram que, quando somos capazes de proceder assim, isso se manifesta neurologicamente – caminhos neurais são criados no cérebro. Precisamos avaliar se, ao longo do tempo, reagimos negativamente a acontecimentos passados e a pessoas, caminhos neurais são configurados por sinais químicos e elétricos que são enviados através do cérebro. E, com o tempo, esses caminhos se estabelecem, eles se transformam na norma – mesmo se são ruins para nós porque nos causam estresse e ansiedade.
Contudo, se pudermos voltar e alterar nossa relação, reavaliar nosso relacionamento com pessoas e eventos do passado, os caminhos neurais podem mudar. E se pudermos manter sentimentos mais positivos sobre o passado, isso se torna o novo modelo. É como reajustar o termostato. Não é ter experiências que nos torna sábios, mas é refletir sobre as experiências que tivemos que nos faz sábios – e que nos ajuda a ser completos. É isso que nos traz sabedoria e autenticidade. Isto ajuda a nos tornar o que poderíamos ter sido. Lembremos que somos os sujeitos de nossas próprias vidas. Mas muito frequentemente muitos, se não a maioria de nós, quando alcançamos a puberdade, a época em que entramos na adolescência, começamos a nos preocupar em ajustar-nos e sermos populares. E nos tornamos os sujeitos e objetos da vida de outras pessoas. Agora, em nosso terceiro ato, talvez seja possível para nós percorrer de volta o círculo até onde começamos e conhecê-lo pela primeira vez. E se pudermos fazer isso, não será apenas para nós mesmos. Atualmente, pessoas mais velhas são o maior contingente demográfico no mundo. Se pudermos voltar e redefinir a nós mesmos e nos tornar completos, isso criará mudanças cultural no mundo, e dará um exemplo às gerações mais jovens para que elas possam repensar suas próprias expectativas de vida.
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